quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Encharcado

Bebia um copo de aguardente
Sentia-se ilusoriamente contente
Estava encharcado disso 
Queria correr para o amigo 
Que o alertava disso.
O seu mundo parecia omisso
Estava perdido
Queria ver-se livre disso
Mas era um vício 
Que fingia ser seu amigo.
Tinha que correr do perigo
Não tinha esconderijo
Seu espírito era rijo.
Vigiou-se.
Atormentou-se.
Tinha que sair daquela foice.
O mundo foi-se.
A sua mente agoirou-se.
Tinha tormento.
Deixar de se encharcar era seu alento.
Estava sonolento.
Era um processo lento.
Passou um vento.

Um vento, um mar e o lar. 
De sua casa mudou-se
E o vício foi-se.
Estava contente 
Menos ausente
Mais presente certamente 
Porque esta mente não lhe mente 
E dizia-lhe contente 
Que convenientemente 
Foi deixar certamente 
Um vício displicente 
Que o ligava a uma corrente 
Oponente 
De sempre ausente 
Porque o seu vício tinha de olhar 
Para a mágoa não voltar
E mais se adorar
E assim se poder tornar 
O seu ser vivido 
Que era vivo e não morto
Assim como o vício o queria deixar. 

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